Que filmes ficariam fora do Oscar com as novas regras da Academia?

Publicado em 16/09/20 05:00

Que filmes ficariam fora do Oscar com as novas regras da Academia?

"O Irlandês" poderia ficar de fora do Oscar
"O Irlandês" poderia ficar de fora do Oscar

Daniel Palomares

De Splash, em São Paulo

16/09/2020 04h00

Na última semana, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou novos requisitos que as películas devem cumprir para garantir sua indicação ao maior prêmio da noite. Não entendeu? Eu resumo: o Oscar mudou as regras para os indicados a Melhor Filme!

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Em busca de mais diversidade e representatividade entre os indicados, a Academia elegeu quatro critérios, dos quais um filme deve cumprir ao menos dois, para poder ser indicado ao tão esperado prêmio de "Melhor Filme".

Basicamente, em todas as esferas de produção de um filme, desde o elenco, a direção, a equipe técnica até os distribuidores e a equipe de marketing, passará a ser exigido que existam profissionais femininas, não-brancos, LGBTQ+ ou portadores de algum tipo de deficiência.

As regras só serão aplicadas oficialmente a partir de 2024, mas já estão gerando burburinho nos bastidores de Hollywood. De acordo com reportagem da Variety, os votantes se sentiram divididos com as novas exigências: alguns foram otimistas e outros receosos sobre o futuro da indústria.

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Mas e se essas regras já estivessem valendo nos últimos anos?

Splash resolveu simular um cenário em que essas regras já teriam sido aplicadas nas últimas cinco edições do Oscar. Será que a corrida se manteria igual?

Como é difícil mapear toda a equipe por trás de um filme, resolvemos focar apenas nos critérios referentes ao elenco e a história. Vamos relembrar direitinho o que a Academia está exigindo.

Os filmes devem seguir pelo menos um desses critérios

  • Ao menos UM dos protagonistas ou coadjuvantes deve ser não-branco
  • Ao menos 30% do elenco secundário deve ser formado por mulheres, não-brancos, LGBTQ+ ou pessoas com deficiência
  • A narrativa do filme deve girar em torno de um grupo minoritário
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Na última edição do prêmio, pelo menos três filmes acabariam perdendo a indicação a "Melhor Filme": "1917", "O Irlandês" e "Ford vs. Ferrari".

"1917" conta história de dois soldados britânicos que enfrentam diversos perigos para entregar uma mensagem no meio da Primeira Guerra Mundial. Os dois protagonistas são brancos e, durante o filme inteiro, só UMA mulher aparece em cena.

Vale lembrar, porém, que, de acordo com a Variety, "1917" conseguiria sim a indicação por ter diversidade entre a equipe de produção do longa. Mas, como estamos focando no elenco e na história, ele ficaria mesmo fora!

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"O Irlandês" remonta a história de um assassino de aluguel envolvido com a máfia italiana nos EUA. O elenco principal, formado por nomes como Robert De Niro, Joe Pesci e Al Pacino, é quase que inteiramente composto de homens brancos. Também seria impedido de competir em "Melhor Filme".

Contando a história de dois pilotos da Fórmula 1, "Ford vs. Ferrari" acaba sendo justamente o que as novas regras tentam evitar: um filme centrado em homens brancos, com pouca diversidade no elenco principal e secundário. Ficaria fora da disputa!

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Na edição realizada em 2019, "Vice" acabaria fora da corrida de "Melhor Filme". O longa, centrado na história do antigo vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, contava com um elenco majoritariamente branco, incluindo nomes como Christian Bale, indicado a "Melhor Ator".

Na cerimônia de 2018, "Dunkirk", épico de Christopher Nolan sobre a Segunda Guerra Mundial, poderia acabar sem a indicação a "Melhor Filme" pelo elenco pouco diverso. "O Destino de uma Nação", que rendeu o Oscar de Melhor Ator para Gary Oldman no papel de Winston Churchill também acabaria barrado.

"Até o Último Homem", filme de Mel Gibson, indicado ao prêmio máximo da Academia em 2017, seria mais um filme de guerra que sofreria as consequências das novas regras. O elenco predominantemente masculino e branco o deixaria fora da competição.

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Lá na cerimônia de 2016, dois filmes indicados não passariam no crivo das novas regras: "A Grande Aposta", sobre a crise de 2008, com elenco formado por Christian Bale, Brad Pitt e vários outros homens brancos, e "Ponte dos Espiões" de Steven Spielberg.

O que você acha? Seria justo que esses filmes fossem impedidos de concorrer a "Melhor Filme"? Essas novas regras da Academia vão abrir espaço para histórias mais diversas? Alguém aguenta mais um filme de guerra?

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Fonte: UOL Cinemas